terça-feira, 20 de dezembro de 2011

A magia...

do escrever, do delirar. Do ser e sentir aquilo que se quer. Sem obrigações, sem preposições, condenações. Escrever é deixar os sentimentos fluírem nas pontas dos dedos... É ser você.


Malfeito

Como uma lâmpada em um quarto escuro, eu estou sentada aqui, esperando você voltar e me acender. E essa espera é algo que eu não desejaria sentir. Faz falta simplesmente não ter os teus olhos em cima dos meus. E parece querer machucar ter que observar os teus passos de longe. Eu continuo a desenhar você em meus pensamentos e teimo em dizer a mim mesma que não te quero, apenas para acalmar o sentimento que, certas vezes, parece querer ganhar vida, ganhar mundo. Eu paro. Respiro de novo e o cheiro que sinto é o teu. O vento parece o trazer para mim, e assim, simplesmente castiga-me por não te trazer por inteiro. Pedaços não matam a saudade, a vontade, o desejo.
É noite e está escuro lá fora. Frio ou calor? E eu ainda espero. Um pedido, um telefonema, a sua voz. Seria uma chance. Para mim, para que o nós se tornasse real mais uma vez. Eu não sei dizer o que quero dizer. Digo quase em silêncio, são murmuros que quase não resoam em meio ao barulho da cidade que corre e parece levar meu clamor para longe... Mas não para você. Então, se eu dissesse claramente "venha", você me daria a alegria do nós? Mais uma vez. E só. Isso bastaria. Logo após, eu vou aprender a me virar para seguir na vida sem você. Meu sentimento malfeito. E o nós, vai se dissipar novamente no tempo.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Estar

Ela estava ali. Sim, estava. E justamente neste dia não se sentira bonita ao sair para enfrentar o mundo. Mas foi. Era sua missão. E assim fez jus ao seu nome saindo para uma guerra. Contra os outros, contra o tempo, contra si. A coragem que preenche-lhe vagamente a cabeça não é suficiente para deixá-la tranquila, mas ela enfrenta. Com mais fé do que qualquer outra coisa que se possa imaginar. O cabelo preso talvez tenha-lhe prendido a audácia. E como assim, diante de todos ela se calou? Teve medo. Resolveu se resguardar. Mantém-se invisível em meio aos que se mostram, aos que aparecem.Alguém se encontra calado ao fundo da sala, alguém ouve canções irreconhecíveis com olhos fixos em algum lugar. Mas, e ela? Se perdeu em meio a medos, pensamentos e ordens. Isto possivelmente é fruto de uma enorme monotonia forçada que não lhe permite aprender. Ela odeia se sentir inútil – confessou-me isso uma vez – e é assim que parece agora.
Olhar mundos fechados não parece ser algo merecedor de comemoração. Onde encaixaram estes teus sonhos, menina? Assim... Se perde... E lá vem novamente a confusão e o medo. Medo da frustração. Ela poderia ser útil. Não importa se cá ou lá, aqui ou ali. Ela ficaria bem. Fazendo. Mas então, ela continua? Sim! E prossegue, segue, caminha, alinha, avante. Sempre. Adiante. Não sabe o que a espera atrás da próxima porta... Opa! TOC, TOC! Hora de parar os devaneios. E, timidamente, antes de fechar o caderno, ela avisa: eu ainda estou aqui!

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Desfoque

E se o amor surgisse tão lentamente quanto o tempo que passa... Surgisse assim e ficasse. Criasse raízes profundas, raízes de paz, feitas de amor. Feitas de querer. Mas ele chega, teima, insisti, e vai. E assim, o frio que faz aqui parece ser a única real companhia num mundo vazio. As conversas soam secas ao fundo, entretanto aquilo que é realmente importante não encontra-se aqui. Pensei que o amor logo viria, chegaria fazendo festa e não partiria mais. Porém o amor veio, bateu a porta, fez carnaval e se foi. As tardes quentes passaram tão rapidamente que sua imagem se faz desfocada em minha memória. Veio e partiu. Eu aprenderei a lidar novamente. Sempre aprendo. Ao longo, adquiri este dom. Esses ditos amores já se tornaram formas de aprendizagem, o que é uma pena. Eles deveriam ser, apenas, as mais lindas e puras formas de amor.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

(dis)junção

A capacidade de esquecer, de fazer dormir. Fazer o sentimento dormir. Congelar. Uma ligação a menos, uma lembrança a menos, uma palavra a menos. O que havia acabou? Se acabou me avise, por favor! Odeio não ser avisada, odeio não ser convidada, odeio atrasos. Atrasos de informações são terríveis para mim. Principalmente, se a informação for: “A sua cota de existência na minha vida chegou ao fim. Dê adeus.”
Os itinerários que percorri ao longo da vida trouxeram-me pequenos ódios e se os tivesse deixado acumular, talvez hoje, fosse a dona carrancuda calculadamente fria. Mas tento apenas aprender com eles, não guardá-los. Há algo maior que filtra os sentimentos, escolhe, seleciona. Joga fora os ódios, mas não os esquece. Se esquecesse eles poderiam chegar a atormetar novamente.
Na minha mania de integração, de conjunto, de nós, eu perguntaria: “Vamos seguir?” Mas não. Essa já não é a pergunta cabível aqui. Agora pergunto: “Vou?” E sim, eu vou. Sozinha. Contanto os inteiros a mim mesma, a uma, a sós, aqui, ali. Em algum lugar. Mas só. Foram deixando-me, quebrando-me. E fui juntando os pedaços, colando-os com esperança e gerando maturidade. Minhas junções talvez não sejam as mais belas; mas elas são ideais para mim e isso basta. Essa sou eu construída por mim mesma, dividindo-me com papéis, com letras. Minhas vidas, meus encantos, deixo guardar. Em mim. Pelo que me cabe hoje, ninguém quis saber o que vi. Mas eu vi, e se sozinha vou, só isso importa.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Ouvidos mortos

Você é sozinha no mundo. Aprenda. Os outros? Ah... Os outros vão deixar escapar teus segredos em meio a conversas fúteis, não respeitarão os teus momentos. Então, viva em silêncio e rejeite, principalmente, os ouvidos que não confiam nos teus. Tenha ouvidos mortos, e boca também. Cale-se! Não conte a ninguém. Mantenha tudo no segredo do teu coração e apenas ele vai poder gritar algo para você. E se ele gritar fique feliz. Só você vai ouvir. Silencie a vida e só fale opiniões convictas. Preste atenção e não comente. Deixe passar. Guarde as confusões e alegrias do seu barulho apenas para você (e seu quarto, se desejar). E os abraços? Para estes existe um travesseiro macio. Para tudo dá-se um jeito, aprendi. Só não há jeito para aquilo que não depende de você.